domingo, 21 de fevereiro de 2016

Loving and Life

A flor morreu
A flor que a menina carrega
Não se rega...
O riso  da menina, Flor...
É não saber que a rosa
Desabrochou
Ainda não  murchou
Mas Já morreu...
É a vida, Flor...
O corte que separa
E mesmo que não se repara
E mesmo que não  se nota
Anota,  Flor...
A flor morreu...
O que aviva a rosa
É planta que no jardim cresceu...
O amor separou a rosa
A flor morreu...
Mas não se morre na hora, Flor...
Como quase tudo que há no mundo
Vivemos feito moribundo
Como a menina, Flor...
Como a rosa, Flor...
Como o mundo
Que se nos ofereceu...
O amante separou a flor
Que do  pé de rosa floresceu
A  roseira continuou viva
Mas a rosa sim morreu...
Porque o que nutre o amor é a rosa
Mas não nutre a rosa o amor
... A flor morreu... H. Víler – Poeta Moderno



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Não se Mate Amanhã

Não se Mate Amanhã
Nada vale apena
Abdicar da vida
Viver é como novela
Que o novelista escolheu
O roteiro que desenvolveu...
Viver é um caminhar
Sem se saber o caminho
É um deixar o ninho
 e voar
é como rio perene
e rio endógeno  
ou rio sazonal
não se pode prever
até aonde a vida vai
mas a vida tem seu curso
e seu tempo
porque a vida é temporal
e temporã ...
não se pode deixar a vida
antes da hora
porque não sabemos a hora
que a vida foi marcada para acabar
e se formos antes da hora
há que lembrar de quem fica
e chora
de quem se choca
e se perde na vida
porque escolhemos perder a vida
sem pensar em quem escolheu ficar
e ver no que a vida vai dar
a vida se desenhou bem dividida
perde-se um pouco da vida
uma fraqueza  medida
como um desprender-se da matéria
até a hora chegar...
mas não há que perder tudo agora
o caminho é longo
e feito para caminhar
a vida nos foge um pouquinho
e vamos voltando ao ninho
para onde devemos ficar...
apressar a vida
ou adiantar o seu cabo
é coisa para se preocupar
e renunciar o caminho
por onde devemos andar
é limitar a história
e tirar da memória
aquilo que queremos
 ou desejamos
para um dia alcançar
não se morre sozinho
não se poderia morrer
há quem espera o fim
e quem quer o fim sem saber
mas não pode a vida
desobedecer
não se pode enlouquecer
e mergulhar no profundo
porque profundo é sinônimo de depressão
e há que buscar atenção
de médicos e de quem merecer...
mas não se mate amanhã
mas não se mate hoje
porque todos querem viver...
e louve cada sofrimento
porque cada sofreguidão
é parte da natureza
de quem veio
e que vai
sem querer
e não há que querer o pior
porque o pior não é morrer
é morrer quando fora de hora...
é oferecer solidão
e desespero para quem esperava
ou contava com você ...

Poeta Moderno, H. Víler