domingo, 27 de dezembro de 2015

O Valor da Vida

O valor da Vida (baseado em casos reais)
Numa madrugada, uma mulher
Pedia ao enfermeiro para não morrer...
Mas morreu.
Na manhã do mesmo dia,
Uma mulher pulava do quinto andar de um prédio...
Queria morrer... ( eu não sabia)
Mas ela também morreu...
Eu não entendia...
Alguém queria morrer
Alguém não queria morrer
E todo mundo morre...
Mas a morte não podia esperar por uma
E a outra não podia esperar pela morte
Ambas morreram na ordem inversa...
Eu me perguntava se a vida presta,
Ou melhor,
Quanto vale a vida?...
A vida vale tudo
E nada vale...
Mas qual seria o valor da vida?...
A pergunta é vaga...
Talvez a pergunta fosse:
Por que uma pessoa deseja morrer
E outra pessoa deseja viver?
A interrogação é válida...
A valoração da vida
É dada por cada  vivente,
No caso,
Por cada mulher...
Mesmo a vida sendo um presente,
Uma dádiva...
Também é um pote de ouro
Ou um vale de lágrima...
Mas há quem viva bem em ambos os casos
E há quem não viva bem em ambos os casos...
E eu, pasmo, me pergunto:
Alguém realmente não quer viver,
Ou não suporta a vida vivida?
É uma encruzilhada dividida...
E nada responde...
Ou não poderia responder...
Mas arrisco uma resposta:
Talvez, mas só talvez
A diferença entre uma e outra
Está no que se contra no decorrer da vida,
Ou seja,
O que se pretende realizar
No meio do nascimento e da morte
Com um pouco de sorte
Traçamos alguma meta
E não queremos terminar a vida sem atingi-la ...
Por outro lado,
E sem fadiga,
Há quem não tem a tal meta
Ou que desista
Da meta e da vida
Logo
Conclui-se com alguma pretensão
Que após nove meses de gestação
A maioria vai lutar para ir ao mais longe possível
Mas uma pequena minoria
Vai desdenhar o privilégio recebido
Vai magoar parentes e amigo
Caminhará na contramão da natureza
Vai depor contra si mesma
E se condenará
A uma pena capital
Em que o seu algoz é o pensamento de que a vida não vale a pena.

Poeta Moderno – H. Víler

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Racismo



O racismo é uma das formas mais idiotas do mundo...
porque avalia o ser humano pela cor da pele,
ou pela sua etnia ... o que não é, nem de longe, razoável...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Sono do Amor

Não acorde o amor
Deixe-o adormecido
Se despertado, pode afligir-me
A aflição desperta o destempero...
O amor aperta o peito
Pois precisa ser dividido
Se não há que levar a metade
Melhor que fique encolhido...
Deitado no peito tranquilo
Encolhe-se feito menino
Não chora, não grita, não se irrita
Permanece quieto e escondido...
Mas se alguém despertar o amor
Que leve uma parte consigo
Porque não há espaço no peito
Para um amor desperto e faminto...
Também não há que roubar-lhe  inteiro
Pois preciso da minha parte
Ou deixa-o dormindo

Ou leve a sua metade... Hércules de Souza Víler – Poeta Moderno

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ausência de João
às vezes,
há um vazio na alma
uma ausência de calma
uma certa aflição
às vezes,
há um buraco no peito
um sentido suspeito
como ferida aberta - no coração
às vezes,
há um sorriso sem graça
um banco na praça
sem um certo João
às vezes,
há um poema no chão
uma nota calada de um violão
há um vazio de calma
uma ausência na alma
de um tal de João
Hércules de Souza Víler - Poeta Moderno

sábado, 15 de agosto de 2015

Dias dos Namorados - Poema de Amor


Você pode encontrar o amor na esquina,
ou encontrar uma prostituta...

Procura da Poesia - Carlos Drummond de Andrade




Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Três Coisas - Mário Lago - Poeta Moderno



Três coisas – Mário Lago

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto

O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o voo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim, que amo estrada aberta,
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito

O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

A Lembrança e O Tempo


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Eu não quero um padre Negro/Alemão

 Eu não quero um padre negro
(mas não há racismo nisto)
eu não quero um padre negro, eu insisto 
Eu quero um padre bem velhinho 
Com cabelos brancos e olhos da cor do céu
Porque o padre negro me confunde 
(porque o negro [como falta de luz] é antítese do que se mostra e do que se representa)
Mas eu não quero um padre alemão 
(porque alemão, quando velho, traz a expressão de coisa ruim ou má)
Mas não posso generalizar 
Mas não quero um padre alemão 
Quero um padre magrinho
Cabelos brancos de algodão 
Como se fora um representante alvejado 
Da minha imaginação 
(desenhado pela religião)
Como um Papai Noel magro
(um pouco Mário Lago)
Repara:
O padre é branco e fala de luz
É representante de  Deus
Ou Jesus 
Com santos europeus 
Falando de um Galileu
De olhos azuis  - Hércules de Souza Víler - Poeta Moderno

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O gato e Ela - The Cat and She


O Gato e Ela
Como todo gato corre no telhado
tenta se esconder
como todo dia passa pela tarde
para anoitecer
corro eu...
assim pela vida
por você...
como a nota passa pela porta
do seu coração...
que essa mesma nota
paga a alma do meu violão...
corro eu                                                                                                      
assim pela vida...
por você...
Hércules de Souza Viler 02/03/2008 13h00
Homenagem ao Sr. Morpheus que completou 11 anos em fevereiro de 2015.

A poesia fede... the poetry is bad...


a poesia fede
nas narinas dos insensíveis

sábado, 21 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

impeachment de Dilma



A eleição foi ridícula, mas foi democrática...
acho que é necessário um escândalo que ligue a presidente a um crime, para que se possa depô-la ...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Eva e a Cobra...

com tanto animal simpático no Jardim do Éden e Eva fez amizade com uma cobra?
podia ser um coelho, gato... mas uma cobra?

Camisinha e carnaval




A camisinha ficou tanto tempo na carteira que fez amizade com o cartão cidadão

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie , why not ?

sinceramente, não acho inteligente usar a liberdade de expressão para criticar ou brincar com figuras religiosas, principalmente em um país perto de redutos extremistas "islâmicos"... 
essa liberdade precisa de ser revista...
RESUMINDO: É UM PREÇO MUITO ALTO A SE PAGAR PARA MEXER COM RELIGIOSIDADE DE UM GRUPO SEM CIVILIDADE ...