sábado, 31 de agosto de 2013

Como nasce um Poema ... Poem

Fecundada por uma ideia
é a cabeça
cheia de sentimentos
e palavras,
que precisam ser organizadas...
o sentimento é a alma
da poesia
que pelo léxico
é capaz de se concretizar...
Montá-la é um jogo de espera:
Esperar a frase correta
passar como um facho de luz,
é a mais nobre expressão da paciência,
confundida com inteligência...
que misturada com a gramática,
o ópio e o cômico,
o belo e o feio,
mais o produto do meio
produz o poema inteiro...
Novo, mas experiente... Hércules de Souza Viler

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Poema Barroco ... The Poem


Eu quero um anjo barroco...
um poema cheio de sentimento...
Eu quero um olhar carregado...
uma face abatida...
uma tristeza medida...
e um certo exagero...
Eu quero um anjo barroco...
um Cristo desfalecido... 
um altar dourado
e um homem confuso...
Eu quero um poema
cheio de sentimento...
cheio de lágrima...
cheio de plástica
e algum arrependimento...
Eu quero um poema seboso...
Porque poema barroco é carregado...
cheio de pecado e perdão...
cheio de confusão...
Eu quero um poema barroco...
porque o homem é barroco...
porque o homem é barro...
e sem solução... Hércules de Souza Viler

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Deputado Federal não é cassado... vergonha de ser brasileiro...





Apenas no Brasil ...
Deputado federal, Natan Donadon,
saiu do congresso nacional algemado, diplomado e colocado na viatura policial...
A Constituição Federal diz que funcionário público condenado a mais de dois anos de prisão perde o cargo público...
não foi isso que aconteceu na noite de ontem...
o deputado veio do presídio e voltou para o presídio algemado...
e a vergonha toma conta da Nação...
sem palavras...


terça-feira, 27 de agosto de 2013

As verdades que eu não quero dizer - the TRUTH

E se eu não quiser acreditar no que você acredita?
E se eu quiser fazer as coisas do meu jeito?
E se eu acreditar em Deus ou não acreditar?
Eu não quero ser igual a todo mundo, melhor, o ser humano é ímpar, não existem dois iguais... pode haver parecido...
Mas parece que a sociedade quer que vivamos como abelhas:
- todos carros iguais...
- todas as cores iguais...
- todas casas iguais...
- todos os sexos iguais...
- todos os cabelos iguais...
Se alguém pinta o cabelo de vermelho, todos criticam...
Se a mulher é lésbica, todos a condenam...
Se o homem se veste diferente é recriminado...
Mas é da natureza do homem ser diferente...
assim como é da natureza do homem fazer guerra...
porque assim é a natureza...
Não pense que com os animais é diferente...
os animais não matam apenas para comer...
matam por vários motivos... e fazem guerra... travam batalhas por espaço, comida e procriação...
A procriação é uma da lógicas da natureza...
repara,
até as lésbicas querem adotar um filho... porque é uma causa natural...
e vem a sociedade e diz que isso é errado...
e eu me pergunto... todo gay é filho de hétero... logo, filho de gay não precisa ser gay...
e de repente não se pode dizer que não gosta de gay porque isso é considerado HOMOFOBIA...
então, se a pessoa não gosta de jiló, ELA É JILOFÓBICA? ...
e se a pessoa não gosta de azul, ELA É AZULFÓBICA...
MAS EU NÃO POSSO DIZER QUE NÃO GOSTO DE GAY... PODERIA SER PROCESSADO...
e o mundo vai-se tornando chato...
não temos que gostar das pessoas...
não temos que não gostar das pessoas...
Ateu não come criancinhas...
alguns padres comem criancinhas...
Nem todo religioso é santo...
Nem todo santo é religioso...
MAS TODOS QUEREM QUE SEJAMOS COMO TODOS...
ALGUÉM DIZ: - TODOS SOMOS IGUAIS...
NÃO,
NÃO SOMOS IGUAIS...
SOMOS MAIS DE 6 BILHÕES DE INDIVÍDUO DIFERENTES...
PORQUE NÃO SOMOS ABELHAS...
SOMOS HUMANOS...
E É DA NATUREZA HUMANA SER DIFERENTE...
E EU SOU HUMANO...

Desordem ... a palavra não diz tudo... no word

Desordem

meu assunto por enquanto é a desordem
o que se nega
à fala

o que escapa
ao acurado apuro
do dizer
a borra
a sobra
a escória
a incúria
o não caber

ou talvez
- pior dizendo -
o que a linguagem
não disse
por não dizer

porque
por mais que diga
e porque disse
sempre restará
no dito
o mundo
o por dizer
já que não é da linguagem
dizer tudo

ou é
se se
entender
que
o que foi dito
é o que é
e por isso
nada há mais por dizer

portanto
o meu assunto
é o não dito não
o sublime indizível
mas o fortuito
e possível
de ser dito
e não o é
por descuido
ou por intuito
já que somente a própria coisa
se diz toda
(por ser muda)

é próprio da palavra
não dizer
ou
melhor dizendo
só dizer
a palavra
é o não ser

isto porque
a coisa
(o ser)
repousa
fora de toda
fala
ou ordem sintática

e o dito (a
não coisa) é só
gramática

o jasmim, por exemplo,
é um sistema
como a aranha
(diferente do poema)
o perfume
é um tipo de desordem
a que o olfato
põe ordem
e sorve
mas o que ele diz
excede à ordem
do falar
por isso
que

desordenando
a escrita
talvez se diga
aquela perfunctória
ordem
inaudita

uma pera
também
funciona
como máquina
viva
enquanto quando
podre
entra ela (o sistema)
em desordem:
instala-se a anarquia
dos ácidos
e a polpa se desfaz
em tumulto
e diz
assim
bem mais do que dizia
ao extravasar
o dizer

dir-se-ia
então
que
para dizer
a desordem
da fruta
teria a fala
- como a pera -
de se desfazer?
que de certo
modo
apodrecer?

mas a fala
é só rumor
e idéia
não exala
odor
(como a pera)
pela casa inteira

a fala, meu amor,
não fede
nem cheira

Ferreira Gullar

sábado, 24 de agosto de 2013

Os patos ... e você pensava que falava português...


O Demônio Mora no Brasil ... Devil lives in Brazil








O demônio tem mil caras...
o demônio mata criancinhas...
(de desnutrição)...
mata idosos...
(sem hospital)
mata o jovem...
(nas drogas e pelas drogas)...
O demônio no Brasil tem nome...
AQUI O CHAMAMOS DE CORRUPÇÃO!

A Rede dos Ignorantes - www


De repente todos ficaram inteligentes...

De repente todos ficaram valentes...
Ficaram todos apaixonados...
bonitos... elegantes... famosos...
De repente o mundo virou outro mundo...
e Todos contra Todos...
contra tolos...
todos bobos!
filósofos sem conhecimento,
sem investimento,
sem cultura...
sem censura...
censuradores!
De repente a literatura sucumbiu...
A genitora que pariu 
uma rede de analfabetos...
entrelaçando o mundo...
(o mundo dos ignorantes)...
De repente todos são escritores...
atores, leitores...
em uma língua que nunca existiu...
De repente! Hércules de Souza Viler

O pintor?


my canvas




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Mau Gosto ... bad things



A mulher é a melhor coisa que existe...
e a mulher não é coisa...
é mulher...
uma expressão única e especialíssima usada para um ser tão especial...

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Religião X Ateísmo - Religion X Ateism

Qual a vantagem de ser ateu?
O salmista fala: - "diz o néscio não há Deus"...
O filósofo moderno avisa: - "a religião é o ópio do povo"...
Parece-me que o filósofo está correto e o salmista também...
A droga que a religião produz, como qualquer droga, eleva o homem a outro estado de consciência...
Acreditar que há um propósito para tudo é mais confortável para a humanidade...
Ter fé é melhor que não a ter...
porque temos a necessidade de caminhar em alguma direção  e os seres racionais se recusam a acreditar que caminham para o fim...
A religião afirma que a morte não é o fim...
EIS O MISTÉRIO DA FÉ...
e o conforto da humanidade...
Mas os filósofos clássicos não negam a existência de Deus, mesmo porque para dizer que uma coisa não existe é necessário provar...
QUEM PROVARÁ QUE DEUS NÃO EXISTE?
O PROFETA ISAÍAS PERGUNTA: - "quem deu crédito à nossa pregação"?...
Mas a filosofia moderna decretou a morte de Deus...
- Mas era papel da filosofia DEFINIR  alguma coisa subjetiva?
A resposta de Pitágoras seria NÃO... por um motivo simples: na subjetividade o filósofo faz suposições... FILO + SOFIA = AMIGO DO SABER...
AS VERDADES ABSOLUTAS MAL CABEM NA MATEMÁTICA...
e a fé movimenta o sentido da vida...
entorpece a mente e produz algum alívio...
VIVA A FÉ!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Geni e o Zepelin - like a ...

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada.
O seu corpo é dos errantes,
Dos cegos, dos retirantes;
É de quem não tem mais nada.
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina,
Atrás do tanque, no mato.
É a rainha dos detentos,
Das loucas, dos lazarentos,
Dos moleques do internato.
E também vai amiúde
Co'os os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir.
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir:
"Joga pedra na Geni!
Joga pedra na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!"
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante,
Um enorme zepelim.
Pairou sobre os edifícios,
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim.
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia,
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo: "Mudei de idéia!
Quando vi nesta cidade
Tanto horror e iniqüidade,
Resolvi tudo explodir,
Mas posso evitar o drama
Se aquela formosa dama
Esta noite me servir".
Essa dama era Geni!
Mas não pode ser Geni!
Ela é feita pra apanhar;
Ela é boa de cuspir;
Ela dá pra qualquer um;
Maldita Geni!
Mas de fato, logo ela,
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro.
O guerreiro tão vistoso,
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro.
Acontece que a donzela
(E isso era segredo dela),
Também tinha seus caprichos
E ao deitar com homem tão nobre,
Tão cheirando a brilho e a cobre,
Preferia amar com os bichos.
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão:
O prefeito de joelhos,
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão.
Vai com ele, vai Geni!
Vai com ele, vai Geni!
Você pode nos salvar!
Você vai nos redimir!
Você dá pra qualquer um!
Bendita Geni!
Foram tantos os pedidos,
Tão sinceros, tão sentidos,
Que ela dominou seu asco.
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco.
Ele fez tanta sujeira,
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado.
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir,
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir:
"Joga pedra na Geni!
Joga bosta na Geni!
Ela é feita pra apanhar!
Ela é boa de cuspir!
Ela dá pra qualquer um!
Maldita Geni!
Chico Buarque

Pedaço de Mim - part of me

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus 
Chico Buarque 

sábado, 10 de agosto de 2013

Educação no Brasil... don't ask me why... or why not

Até para ser ignorante
temos que ser ignorante na média...
não somos donos da verdade...
há muitas verdades...
cade mente é um mundo...
e o nosso mundo precisa ser povoado de informação...
boa informação...
conhecimento diferencia pessoas...
dá oportunidades...
o pensamento tem que ser vasto...
"mundo, vasto mundo"...

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Poeta sem Alma - poet without soul



Eu fiz uns versos 

brancos...
(não que eu seja racista)
eu apenas não estou tão poético...
fascista...
vestido no engodo da vida...
pus o dedo na ferida...
(coloco o dedo onde quero)
-rimas me fazem poeta?
-não acredito... 
(nem espero)
mas os versos são sinceros...
versos brancos falam do escuro
(da vida)
do outro lado do muro
tolida 
fica minha opinião...
(opinião do poeta não conta)
porque poeta tem alter ego...
porque poeta tem outro EU
o EU poético...
o EU sintético e analítico...
o EU político...
poeta fala do outro em si...
como se estivesse grávido do poema...
e põe no mundo um tema ...
para se pensar ou se ler...
Hércules de Souza Viler

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

abreviação de hora


soneto de separação - good bye... tears of a clown

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo, distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

terça-feira, 6 de agosto de 2013

velho homem - old man

















Velho Homem


Vi um velho
vendendo vasos...
Vi a vida
vazando nos vasos do velhote...
veias, velhas, vinho...vertigem...
vai o velho vivendo...
vem o velhote vestindo
vestes violeta...vermelhas...
vertendo vida...
Velhaco!
vai visitar vendedoras de vida vil ...
vencedor!
viril...
viga da vida verga,
vírgula,
vitória vertida...
vislumbra viaduto...
veredas, vias...
vilas, viagens...
verdes, vastos visuais...
Vai o velho vivendo...
valendo-se da vida... Hércules de Souza Víler - Poeta Moderno

domingo, 4 de agosto de 2013

Memória ... in memory

Vasculhei a lixeira da memória...
e não havia nada lá...
porque não guardo memórias no lixo...
porque não há lixeira na minha  memória...
Pensamentos podem ir para o lixo...
memórias não...
eu sou as minhas memórias...
memórias são boas e ruins...
mas são memórias...


sábado, 3 de agosto de 2013

A um Poeta - how to make a poetry

Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
Olavo Bilac

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quando eu morrer... when I'll die...

Fim

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Mário de Sá Carneiro

Motivo - the reason of life

Motivo


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.


Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.


Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles