sábado, 14 de janeiro de 2017

O cordeiro e Isaque (Isaac) a palo seco

Eu sou um poeta
Um engenheiro da literatura,
Ou melhor,
 um pedreiro
Na construção do texto:
Meio braçal
Meio boçal
Meio intelectual
Cismado a arquiteto
A desenhar textos
(e, vez ou outra, quadros)
Dotado de inspiração
E conhecimento gramatical,
Trafego eu
Pelos meus pensamentos
e trafico
dos dicionários e da memória
as palavras e concordâncias
de que me valho.
O poema
nem sempre é o melhor
como nem toda construção
é um monumento...
repara:
como o cordeiro
que observava Abraão
e espreitava a morte
de Isaque
sem perceber
que a aproximação
e curiosidade
trazia uma opção
ao pai de um filho só.
Melhor matar o ovino,
E o cutelo que imolaria
O menino
Foi algoz do cordeiro
Distraído.
Respirava Isaque aliviado
Ao perceber
Que ao seu lado
Havia um arbusto
E um descuidado
Que  lhe poupava a morte

E o destino... (Poeta Moderno – o cordeiro distraído – H. Víler) 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A Imagem Desfigurada de Ti ... My Way, My Life


Esse projeto desfigurado de ti
és tu mais os teus anos.
Um ano não te faz diferença
Quando a mocidade ainda vibra na tua alma;
Mas calma,
Cada ano contará
Quando já não encontrar
tanta vida em teus braços.
 É o caminho da vida:
Nascer, crescer, envelhecer e desviver.
A desfiguração é proposital
Para te motivar a prosseguir
No caminho que a vida desenhou...
Até estar pronto para render-se,
Para dizer que findaste o teu propósito no mundo,
Que criastes filhos e netos,
Ou nem isso;
Mas fizeste o que houvera de ser feito...
As tuas pernas,
 companheiras de futebol, escaladas e correrias,
agora pedem repouso.
Os teus braços ,que carregaram a mulher amada,
Agora se esforçam para levantar um copo d’água...
Os teus pulmões e a boca seca,
As tuas rugas e rusgas por nada...
Mostram o fim da caminhada.
É hora de dizer adeus:
Chegaste ao fim da estrada. Hércules de Souza Víler – Poeta Moderno 21/12/16.


domingo, 27 de novembro de 2016

O Policial - the Policeman

O Policial é o operário de botina
que labuta com a lei e a força bruta,
que transita entre o intelectual e o animal,
que margeia o mais belo e o mais vil de cada dia.
Engole o choro e esconde a lágrima,
Ergue a cabeça e o queixo - o corpo fala - pois já é dia.
Poeta Moderno - Dr H. Víler

sábado, 21 de maio de 2016

Pastando o Boi - conhecimento desnecessário

Ponho-me a pastar,
 como boi,
As páginas de uma literatura
Que não me interessa...
A metáfora com o bovino
Não se dá ao acaso
São necessários ao menos dois estômagos
Para digerir tamanha desnecessidade
A que sou submetido...
Recorro a uma aula virtual
Na esperança de ver resumida
E explicada a matéria que preciso absorver
Preencho-me de certa animosidade
Ao perceber que o docente é tudo,
Menos professor...
Arranca-me a vontade
E desperta-me os sentimentos mais vis
Que só as almas menos evoluídas podem produzir...
Um ácido estomacal se derrama
Mas não há digestão que suporte
Alguém que se propõe,
Por saber,
A ensinar...
Como se o conhecimento fizesse
Um mestre  - Hércules Víler - Poeta Moderno

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Eu Poeta e Política do Brasil

Eu sou um poeta e prefiro a poesia...
mas o mundo é concreto
e a política dejeto
de uma sociedade falida ...
iludida, perdida e vazia.
Eu sou poeta e brasileiro,
filho de pedreiro
e de uma mãe desaparecida...
Mas não sou só poeta,
sou polícia e me policio
sou soldado do meu ego
combatendo em mim a guerra que travei comigo...
sou o inimigo de mim mesmo...
Jurei a minha própria vida
(era a que eu podia dar)
Mas não era um juramento poético
era de um poeta
que no mundo concreto queria acreditar...
Hércules Víler, Poeta Moderno​

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Coisas que Ofendem - Política da Ofensa - Brasil

Há que se ter cuidado com as coisas que ofendem alguma parte...
A nossa liberdade de expressão não pode ser tão libertária, tão libertina, tão absoluta...
Não se pode chamar uma moça de feia ou gorda...
Não se diz a um cristão que Cristo não vale nada...
Não se diz à Mãe de Santo que sua crença não é válida...
Há que se ter ponderação...
Havemos de tentar enxergar ao menos duas hipóteses antes da conclusão...
Vi um vídeo que bradava pela democracia e o fim da minha profissão...
Eu, que sempre prezei pelo bem social e pela democracia nas suas formas mais básicas que é garantir o direito das pessoas, me vi, nas palavras de Gregório Duvivier, aviltado...
Quando se generaliza qualquer coisa, qualquer grupo, qualquer profissão, qualquer partido, qualquer religião; corre-se o risco de ofender, de denegrir (ou talvez seja o objetivo)...
O rábula citado deveria ter algum cuidado com as palavras, ao menos quando estiver falando sério, pois a comédia suporta e se sustenta também das distorções sociais, nas cores, nos borrões e nas hipérboles, mesmo sem legitimidade...
Fala-se muito, no Brasil, sobre muitas coisas, mas não há debate razoável, há conhecimentos parcos sobre algumas coisas...
Algumas vozes se levantam para trazer um pouco de luz aos que param para ouvir, como faz o Professor Leandro Karnal e alguns outros pensadores contemporâneos...
As falácias são repetidas e decoradas, mentalizadas e metabolizadas, viram verdades, mesmo sem fundamento...
O empirismo nos faz concluir, mas a pesquisa, a ciência traz prova e contraprova para estabelecer um percentual conclusivo...
E, insisto, são as hipóteses que devem permear o pensamento, não as conclusões...
Ser contra ou a favor de alguma coisa é fácil, árduo é mergulhar no universo das coisas; ver a guerra pelos olhos do Soldado.
Poeta Moderno - Dignidade Profissional - https://www.youtube.com/watch?v=VhlCrI9LiPM

quinta-feira, 31 de março de 2016

Impeachment da Dilma - Direita X Esquerda?

O verdadeiro Impeachment (uma análise parca)
A meu sentir, o verdadeiro impeachment deveria ter acontecido nas urnas...
Por outro lado, mas no mesmo caminho, fico pensando que marqueteiros tiram o poder de discernimento da massa (isso para dizer o mínimo)...
Um Brasil lindo nos foi apresentado na campanha eleitoral: muita gente feliz;
muito hospital funcionando bem;
muita segurança;
muita moradia;
muitas escolas e milhares de creches construídas... queria eu mudar para aquele Brasil Publicitário...
Fico me perguntando se eu sou de direita ou de esquerda... e não encontro resposta porque olho para o governo e vejo PT + PMDB e fico meio confuso, meio perdido... ou melhor, fico no meio...
Depois vejo alguém dizer que não vai ter golpe, mas eu gostaria (sinceramente) de saber o vai ter...
O que já tem, eu sei...
eu sinto, eu vejo, eu pago...
Queria um pouco de dignidade para esse povo perdido, esquecido, empobrecido...
Começo a entender que o governo se desmorona em si mesmo...
pessoas do governo derrubam o governo...
Sinceramente, acho que devemos mudar o grito de guerra:
- NÃO VAI TER MUDANÇA!
porque não há esperança, porque não há direita e esquerda...
porque a pobreza é garantia de voto...
Poeta Moderno - H. Víler - Reflexões Parcas sobre o Brasil

sábado, 5 de março de 2016

PT mudou o Brasil... desculpa, aqui não é a Suíça

Governo do PT X PSDB X PMDB...
Quando eu era bem pequeno, eu era muito, muito pobre... e eu desejava ser apenas pobre...
Mas não fazia ideia de quem governava o Brasil...
Eu só sabia que não queria crescer e continuar naquela pobreza exagerada... também não queria ficar rico... mas queria conforto, apenas conforto...
E percebi que tudo só dependia de mim e da minha saúde... como sou saudável, trabalhei bastante e estudei muito... administrei o pouco que ganhava e fui melhorando de vida...
não fiquei rico, fiquei confortável...
estou confortável e continuo estudando e trabalhando bastante...
Tive um pai rígido e que soube moldar o meu caráter...
Quando vejo o governo atual dizer que tirou milhões de pessoas da pobreza, eu não estou incluso... não esperei pelo governo ou por qualquer ajuda externa... tenho muita coragem para trabalhar e muito esforço para estudar...
Assentada essa premissa, não consigo entender alguém revoltado
porque pessoas de alguns partidos estão sendo processadas; alguns empresários ricos e poderosos estão sendo levados à cadeia; um senador da República foi preso...
Gritam palavras de ordem e defendem quem faz mal para o Brasil (como se nosso país tivesse se transformado na Suíça...)
Se realmente o governo fez tudo que diz ter feito, por que precisou contratar um dos maiores marqueteiros (publicitário) do mundo?
Mas não quero que o Lula vá para cadeia, quero que todos os corruptos vão para um presídio de segurança máxima, incluindo Lula;
incluindo Dilma;
incluindo Renan Calheiros;
incluindo José Sarney;
incluindo F. Collor;
incluindo Eduardo Cunha;
incluindo TODOS que corrompem este País!
Mas o Brasil não foi transformado... a favela mudou só de nome(comunidade);
os hospitais abandonados, pessoas morrendo por falta de atendimento...
alunos saindo da escola pública e não sabem ler...
impostos caros, carros caros, comida cara, roupas caras... ruas de terra, buracos nas rodovias...
meninos mantando meninos...
violência por todo canto...
E eu, já cansado de escrever, me pergunto:
- por que ainda defendem o governo?
Poeta Moderno - H. Víler

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Loving and Life

A flor morreu
A flor que a menina carrega
Não se rega...
O riso  da menina, Flor...
É não saber que a rosa
Desabrochou
Ainda não  murchou
Mas Já morreu...
É a vida, Flor...
O corte que separa
E mesmo que não se repara
E mesmo que não  se nota
Anota,  Flor...
A flor morreu...
O que aviva a rosa
É planta que no jardim cresceu...
O amor separou a rosa
A flor morreu...
Mas não se morre na hora, Flor...
Como quase tudo que há no mundo
Vivemos feito moribundo
Como a menina, Flor...
Como a rosa, Flor...
Como o mundo
Que se nos ofereceu...
O amante separou a flor
Que do  pé de rosa floresceu
A  roseira continuou viva
Mas a rosa sim morreu...
Porque o que nutre o amor é a rosa
Mas não nutre a rosa o amor
... A flor morreu... H. Víler – Poeta Moderno



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Não se Mate Amanhã

Não se Mate Amanhã
Nada vale apena
Abdicar da vida
Viver é como novela
Que o novelista escolheu
O roteiro que desenvolveu...
Viver é um caminhar
Sem se saber o caminho
É um deixar o ninho
 e voar
é como rio perene
e rio endógeno  
ou rio sazonal
não se pode prever
até aonde a vida vai
mas a vida tem seu curso
e seu tempo
porque a vida é temporal
e temporã ...
não se pode deixar a vida
antes da hora
porque não sabemos a hora
que a vida foi marcada para acabar
e se formos antes da hora
há que lembrar de quem fica
e chora
de quem se choca
e se perde na vida
porque escolhemos perder a vida
sem pensar em quem escolheu ficar
e ver no que a vida vai dar
a vida se desenhou bem dividida
perde-se um pouco da vida
uma fraqueza  medida
como um desprender-se da matéria
até a hora chegar...
mas não há que perder tudo agora
o caminho é longo
e feito para caminhar
a vida nos foge um pouquinho
e vamos voltando ao ninho
para onde devemos ficar...
apressar a vida
ou adiantar o seu cabo
é coisa para se preocupar
e renunciar o caminho
por onde devemos andar
é limitar a história
e tirar da memória
aquilo que queremos
 ou desejamos
para um dia alcançar
não se morre sozinho
não se poderia morrer
há quem espera o fim
e quem quer o fim sem saber
mas não pode a vida
desobedecer
não se pode enlouquecer
e mergulhar no profundo
porque profundo é sinônimo de depressão
e há que buscar atenção
de médicos e de quem merecer...
mas não se mate amanhã
mas não se mate hoje
porque todos querem viver...
e louve cada sofrimento
porque cada sofreguidão
é parte da natureza
de quem veio
e que vai
sem querer
e não há que querer o pior
porque o pior não é morrer
é morrer quando fora de hora...
é oferecer solidão
e desespero para quem esperava
ou contava com você ...

Poeta Moderno, H. Víler

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Preguiça do Mundo

Preguiça do Mundo
contemplas tu o ócio
como um pintor contempla a Monalisa
 afanas as sobras do dia de trabalho
 e resfrias as tuas entranhas com levedura engarrafada...
 traja-te com  farrapos de tuas vestes envelhecidas
e praticas um último pecado na poltrona da sala...
afagas teu intestino com as sobras de um pão dormido
enquanto acaricias um felino doméstico
e despretensioso...
aguardas que Hipnos  te leve ao encontro de Morfeu
porque o mundo lá fora já não presta...
 Hércules de Souza Víler -Poeta Moderno...


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Vivente ou Mortal?

uma pequena reflexão...
não me sinto mortal,
sinto-me vivente...
mas sei que vou morrer,
sei também que só morre quem é vivente,
logo,
não sou mortal,
sou vivente...
não espero a morte,
vivo pelo prazer de viver...
porque escolhi ser vivente
e
não mortal...
objetivo é a vida
e a morte é parte da vida...
é a mesma ideia do copo meio cheio ou meio vazio...
ser mortal é ser meio vazio...
ser vivente é ser meio cheio de um monte coisas boas e ruins típicas de uma vida normal...
Poeta Moderno - H. Víler...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Homenagem ao Cadete PM morto em MG

A luta e o luto
Hoje não havemos de contar piada
Não se deve e não se podem histórias engraçadas
Pois havemos de nos enlutar na luta desgraçada
Que ceifou o guerreiro na jornada...
O demônio se prepara para emboscada
Não se pode prevê a hora exata
O guerreiro seguia sua estrada
E se deparou com dois demônios e duas espadas
Guerreou como se esperava...
Mas não houvera vencido
(a reação  foi ilibada)
Mas a proporção exagerada...
Fez tombar o guerreiro aguerrido
Não foi um bom combate
Não poderia ter sido...
Cortar na nossa própria carne
Um membro arrancado
Surpreendido
Faz sangrar uma tropa
Como um corpo combalido
Como um pedaço que se perde
Como as dores dos amigos...
Com a vida que se mede
Pelos valores percebidos...
Que o Grande Arquiteto
Receba aquele Ser construído
E lhe dê um local de conforto
Daquilo que lhe for merecido... H. Víler – Poeta Moderno







domingo, 27 de dezembro de 2015

O Valor da Vida

O valor da Vida (baseado em casos reais)
Numa madrugada, uma mulher
Pedia ao enfermeiro para não morrer...
Mas morreu.
Na manhã do mesmo dia,
Uma mulher pulava do quinto andar de um prédio...
Queria morrer... ( eu não sabia)
Mas ela também morreu...
Eu não entendia...
Alguém queria morrer
Alguém não queria morrer
E todo mundo morre...
Mas a morte não podia esperar por uma
E a outra não podia esperar pela morte
Ambas morreram na ordem inversa...
Eu me perguntava se a vida presta,
Ou melhor,
Quanto vale a vida?...
A vida vale tudo
E nada vale...
Mas qual seria o valor da vida?...
A pergunta é vaga...
Talvez a pergunta fosse:
Por que uma pessoa deseja morrer
E outra pessoa deseja viver?
A interrogação é válida...
A valoração da vida
É dada por cada  vivente,
No caso,
Por cada mulher...
Mesmo a vida sendo um presente,
Uma dádiva...
Também é um pote de ouro
Ou um vale de lágrima...
Mas há quem viva bem em ambos os casos
E há quem não viva bem em ambos os casos...
E eu, pasmo, me pergunto:
Alguém realmente não quer viver,
Ou não suporta a vida vivida?
É uma encruzilhada dividida...
E nada responde...
Ou não poderia responder...
Mas arrisco uma resposta:
Talvez, mas só talvez
A diferença entre uma e outra
Está no que se contra no decorrer da vida,
Ou seja,
O que se pretende realizar
No meio do nascimento e da morte
Com um pouco de sorte
Traçamos alguma meta
E não queremos terminar a vida sem atingi-la ...
Por outro lado,
E sem fadiga,
Há quem não tem a tal meta
Ou que desista
Da meta e da vida
Logo
Conclui-se com alguma pretensão
Que após nove meses de gestação
A maioria vai lutar para ir ao mais longe possível
Mas uma pequena minoria
Vai desdenhar o privilégio recebido
Vai magoar parentes e amigo
Caminhará na contramão da natureza
Vai depor contra si mesma
E se condenará
A uma pena capital
Em que o seu algoz é o pensamento de que a vida não vale a pena.

Poeta Moderno – H. Víler

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Racismo



O racismo é uma das formas mais idiotas do mundo...
porque avalia o ser humano pela cor da pele,
ou pela sua etnia ... o que não é, nem de longe, razoável...

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Sono do Amor

Não acorde o amor
Deixe-o adormecido
Se despertado, pode afligir-me
A aflição desperta o destempero...
O amor aperta o peito
Pois precisa ser dividido
Se não há que levar a metade
Melhor que fique encolhido...
Deitado no peito tranquilo
Encolhe-se feito menino
Não chora, não grita, não se irrita
Permanece quieto e escondido...
Mas se alguém despertar o amor
Que leve uma parte consigo
Porque não há espaço no peito
Para um amor desperto e faminto...
Também não há que roubar-lhe  inteiro
Pois preciso da minha parte
Ou deixa-o dormindo

Ou leve a sua metade... Hércules de Souza Víler – Poeta Moderno

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Ausência de João
às vezes,
há um vazio na alma
uma ausência de calma
uma certa aflição
às vezes,
há um buraco no peito
um sentido suspeito
como ferida aberta - no coração
às vezes,
há um sorriso sem graça
um banco na praça
sem um certo João
às vezes,
há um poema no chão
uma nota calada de um violão
há um vazio de calma
uma ausência na alma
de um tal de João
Hércules de Souza Víler - Poeta Moderno

sábado, 15 de agosto de 2015

Dias dos Namorados - Poema de Amor


Você pode encontrar o amor na esquina,
ou encontrar uma prostituta...

Procura da Poesia - Carlos Drummond de Andrade




Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Três Coisas - Mário Lago - Poeta Moderno



Três coisas – Mário Lago

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto
Pra defender qualquer delas
Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o grito, é o passo, é o gesto

O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço
Chama, ordena, empurra, assusta
Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito
É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o voo
Que vai do chão pro infinito
Pra mim, que amo estrada aberta,
Quem prende o passo é maldito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito

O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço
Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto
É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

A Lembrança e O Tempo


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Eu não quero um padre Negro/Alemão

 Eu não quero um padre negro
(mas não há racismo nisto)
eu não quero um padre negro, eu insisto 
Eu quero um padre bem velhinho 
Com cabelos brancos e olhos da cor do céu
Porque o padre negro me confunde 
(porque o negro [como falta de luz] é antítese do que se mostra e do que se representa)
Mas eu não quero um padre alemão 
(porque alemão, quando velho, traz a expressão de coisa ruim ou má)
Mas não posso generalizar 
Mas não quero um padre alemão 
Quero um padre magrinho
Cabelos brancos de algodão 
Como se fora um representante alvejado 
Da minha imaginação 
(desenhado pela religião)
Como um Papai Noel magro
(um pouco Mário Lago)
Repara:
O padre é branco e fala de luz
É representante de  Deus
Ou Jesus 
Com santos europeus 
Falando de um Galileu
De olhos azuis  - Hércules de Souza Víler - Poeta Moderno

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O gato e Ela - The Cat and She


O Gato e Ela
Como todo gato corre no telhado
tenta se esconder
como todo dia passa pela tarde
para anoitecer
corro eu...
assim pela vida
por você...
como a nota passa pela porta
do seu coração...
que essa mesma nota
paga a alma do meu violão...
corro eu                                                                                                      
assim pela vida...
por você...
Hércules de Souza Viler 02/03/2008 13h00
Homenagem ao Sr. Morpheus que completou 11 anos em fevereiro de 2015.

A poesia fede... the poetry is bad...


a poesia fede
nas narinas dos insensíveis

sábado, 21 de fevereiro de 2015

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

impeachment de Dilma



A eleição foi ridícula, mas foi democrática...
acho que é necessário um escândalo que ligue a presidente a um crime, para que se possa depô-la ...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Eva e a Cobra...

com tanto animal simpático no Jardim do Éden e Eva fez amizade com uma cobra?
podia ser um coelho, gato... mas uma cobra?

Camisinha e carnaval




A camisinha ficou tanto tempo na carteira que fez amizade com o cartão cidadão

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie , why not ?

sinceramente, não acho inteligente usar a liberdade de expressão para criticar ou brincar com figuras religiosas, principalmente em um país perto de redutos extremistas "islâmicos"... 
essa liberdade precisa de ser revista...
RESUMINDO: É UM PREÇO MUITO ALTO A SE PAGAR PARA MEXER COM RELIGIOSIDADE DE UM GRUPO SEM CIVILIDADE ...

domingo, 21 de dezembro de 2014

Feliz Natal... Santa Claus tale

Querido Papai Noel,
gostaria de indagar-lhe
acerca do teu conhecimento  geográfico
visto que estamos do outro lado do hemisfério
e aqui o clima é outro
bem  quente - diria eu -
e transitas tu com tuas vestes vermelhas
tuas barbas compridas
luvas e botas...
quando o calendário já avisa que é verão...
e a geografia diz que o clima é tropical...
mas
parece-me, velho gordo,
que não bastassem as tuas vestes desproporcionais ao clima,
transitas ainda em montaria
que não resistiria ao nosso clima
posto que trafegas no lombo de renas
- que cá chamamos de veado -
quando na verdade
deverias usar um jegue
ou outro tipo tração animal para tua carruagem exótica...
porém,
mais exóticas são as tuas vestes rosas
e a tua forma de caminhar pelos lugares brasileiros...
penso eu, velho gordo,
que deve ser tu patrocinado pelas Casas Bahia
para enganar o povo com a ideia de que és tu o verdadeiro
representante do natal
em que o aniversariante é outro
e furtas o seu lugar
passando-te por figura real
quando a realidade é outra...
não bastasse o coelhinho que substituiu Jesus na páscoa...
queria ver tu, velho gordo,
aparecer no irã
simbolizando Maomé...
não sobreviverias ao próximo natal...
mas aqui te toleram...
como a verdade vendida
do comércio local
e representas o grande demônio do ocidente
- o capitalismo predatório -
e trazes a verdade que todos preferem acreditar...
porque somos todos lúdicos
quando se trata de lobismo comercial
e vai tu, velho gordo,
até o carnaval
de outros anos
lembrar
a teus seguidores
dos gastos com natal
de alguns outros tantos  anos...




terça-feira, 9 de dezembro de 2014

domingo, 7 de dezembro de 2014

AQUECIMENTO GLOBAL ... VERDADE OU MITO...

COM A PALAVRA
O PROFESSOR DE UMA DAS MELHORES UNIVERSIDADES DO BRASIL...
Eu não tenho informação suficiente para não concordar...

PERDA OU PERCA...



*** PERDA É SUBSTANTIVO... A MINHA PERDA FOI GRANDE...

**** PERCA É VERBO... EU QUERO QUE ELE PERCA...

A Árvore da Vida - think about...



Lia o Livro de Gênesis e conheci a história de Adão e Eva e a Árvore do bem e do mal...
"Deus chama o casal, mostra a árvore e adverte que não poderia comer do seu fruto"...
primeiro eu me perguntei: - por que um pai plantaria uma árvore venenosa em um jardim, onde seu casal de filhos brinca? ...
Depois pensei melhor e me coloquei no lugar de Adão...
faria eu diferente?...
a resposta é positiva...
sim, faria diferente...
esperava Deus ir embora ...
ao menor esboço de Eva para tentar comer a fruta, daria-lhe uma cotovelada na costela - primeira Maria da Penha da história...
Chamava todos os grandes animais do jardim e derrubaria a árvore de Deus...
Viveríamos no jardim do Éden para sempre...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

a vela - the candle


A Vela
A chama consome a vela
A vela alimenta a chama
A vela sem chama não tem vida
A vela com a chama morre
A vela acende a chama
A chama apaga a vela
Mas a vela vive para a chama
A chama não vive sem a vela
O paradoxo entre vela e chama
É outro entre aquela e minha
Que pergunta quem nasceu primeiro:
- o ovo ou a galinha.

Hércules de Souza Viler 

quinta-feira, 27 de novembro de 2014